as bombas continuam a explodir, os carros continuam a rodar; e a mesa imaginária é a única coisa que nos mantêm presamente libertos da realidade. blog de jornalismo literário. por uma nova forma de ver o mundo.

28.11.06

O negão do consulado é o cara!

Após poucas horas mal dormidas numa cadeira de ônibus pouco confortável, finalmente vemos o Rio de Janeiro. 06:30 da manhã é o momento em que desembarcamos e percebemos que não há banheiro para escovar os dentes, trocar de roupa e coisas afins. Estávamos lá em um grupo de talvez 50 estudantes, buscando o quase sonho dourado dos dias atuais: um visto para os Estados Unidos. A entrevista no Consulado estava marcada para as 8h. Às 7:30h, a fila das entrevistas das 8 e das 9 já estavam enormes. Para meu menor desespero, consegui adentrar a sala extremamente vigiada, com detector de metal e porta pesadíssima às exatas 8 horas da manhã. O preparatório para chegar até ali inclui, ainda em casa, uma inscrição longa em forma de questionário na internet; três formulários - esse número varia de acordo com o tipo de visto que se pretende - em que se preenche basicamente a mesma coisa, que também já foi preenchida na internet; várias taxas que totalizam perto de quatrocentos reais e um ônibus até o Rio – já que parti de Vitória. Dali segue-se para uma fila para pegar sua senha. O segurança fala as regras, explica o procedimento das senhas, arranca risadas de todas as pessoas que ali se põem relativamente nervosas e acaba sua mensagem com um sombrio “boa sorte”.
Minha senha era 33 e tudo andava rápido. Próximo às 9h da manhã, o número 31, um amigo que viajou comigo, foi chamado. O número 32 era a atriz Ângela Vieira, que logo descobriu que deveria estar em outro setor do consulado. De repente a senha muda: 42. Ainda com esperanças no coração percebo que a ordem das senhas vai do número 42 para 18, e assim, 19, 20, 21, 22 para só então finalmente chegar à 33.
A mocinha que tira as impressões digitais é americana e diz “dedo indicador esquerdo” como todo o sotaque enrolado de americano falando português. Após colocar os dedos direito e esquerdo sobre a leitora digital, outra sala, com outro letreiro eletrônico chamando as senhas. Daí a espera foi pequena: funcionavam as cabines 01, 03 e 06. Todos queria ir na 06: ele liberava rapidamente o visto. A 01 entrevistava de dois em dois e a 03, individualmente, fazia intermináveis perguntas.
Finalmente fui chamada na cabine 01, junto com outra menina. Após duas piadinhas por parte do cônsul, eis que ouço: “pague 40 dólares para validar seu visto”. Amém!

21.11.06

O futuro chegou

Nos primórdios, havia a fala. Depois a escrita, o telefone, o rádio, a tevê, o cinema e agora a internet. E toda essa fala pode parecer demodê, mas como todos sabemos, com a internet, nossas vidas e nossas formas de comunicar nunca mais foram (e nem serão) as mesmas.

Primeiramente as páginas eram simples (bem simples, como uma rápida busca no Internet Archives pode nos mostrar, enjoy!) e traçando aquele paralelo simplista, vemos como as coisas têm se tornado, no mínimo, interessantes para o internauta mais curioso.

Percebi que as coisas estavam realmente mudadas e que o futuro (pelo menos de ontem, e não me refiro apenas ao futuro temporal) já tinha chegado ao dar uma navegada por esse trio: G1, EP3 e MTV Overdrive. Quem não foi, deveria ir. Agência de notícias multimídia, revista cultural, jovem, digital e multimídia e a memória da tevê jovem mais pop dos últimos anos.

Não, isso não é coisa pouca. E tem gente ainda que se contenta em só ver o Jornal Nacional...




Post scriptum: Se, por vezes, determinadas coisas podem parecer óbvias para nós e de conhecimento geral da nação, precisamos fazer o exercício de nos lembrar que não são e por isso o registro disso se faz necessário. Apenas uma colocação justificativa :)

20.11.06

Você vota?

Célia é na verdade Jucélia Pereira Sena, tem 38 anos, nascida em Ponto Belo, ES, hoje mora na capital. Aos 13 anos, saiu de sua cidade para estudar em Belo Horizonte, MG. Lá cursou até a 7ª série, quando parou seus estudos para trabalhar como empregada doméstica. Na ocasião, ela tinha 16 anos. Trabalhou por alguns anos, mas resolveu voltar para Ponto Belo, por causa de sua mãe. Porém, no interior, é muito difícil arrumar emprego: voltou para Vitória. Aos 23 anos, começou a trabalhar em Vitória também como empregada doméstica, e um ano depois foi trabalhar na casa que está até hoje, há 14 anos. Não vota porque tirou seu título em sua cidade natal e nunca voltou lá para pegá-lo.

Célia, para você votar é importante?
Sim. Porque quando você não vota, você se sente inútil. Não participa da eleição, fica de fora do que está acontecendo em seu país.
Você acredita que o seu voto muda alguma coisa na vida eleitoral do país?
Só o meu não, mas a gente não pode descartar o voto, porque se cada um pensar assim, não tem mais eleição no país.
Você sabe a diferença entre voto nulo e voto branco?
Voto nulo é quando você vota errado, e branco é quando você não escolhe seu candidato, certo?
Se você votasse, nessas eleições votaria em quem?
No Lula.
Mesmo com os escândalos de corrupção, você não votaria nulo?
Não vale a pena votar nulo. Você tem o título, e não votar seria perder seu tempo, mesmo sem candidatos bons. Eu acho que só votaria nulo se estivesse muito revoltada com os candidatos.

É considerado voto nulo quando o eleitor manifesta sua vontade de anular seu voto, digitando na urna eletrônica um número que não seja correspondente a nenhum candidato ou partido político oficialmente registrados. No caso de uso de cédula de papel, é quando o eleitor faz qualquer marcação que não identifique de maneira clara o nome ou o número do candidato (ou do partido político). O voto nulo é apenas registrado para fins de estatísticas e não é computado como voto válido, ou seja não vai para nenhum candidato, partido político ou coligação. Porém, o voto nulo não necessariamente é usado com falta de consciência, e nem com falta de consideração com a cena política brasileira. O voto nulo, que tem suas raízes anárquicas, pode ser um voto de descontentamento e votar nulo conscientemente é uma forma democrática e legal de dizer que não se está de acordo com as possibilidades oferecidas.
857 comunidades no orkut discutem voto nulo.
Mais de 26000 usuários da rede de relacionamentos do orkut declaram votar nulo.

15.11.06

Caos na Ufes 2.0

Ainda caminhando pelos corredores da Ufes, não é só Psicologia e História... os cursos de Arquitetura e Urbanismo e Comunicação Social também atravessaram problemas graves nos dois primeiros meses do atual semestre, como falta de estrutura física e escassez de professores. No dia 20 de setembro, os estudantes de Arquitetura organizaram uma manifestação, reencapando pranchetas de desenho que estavam com os revestimentos rasgados. “Resolvemos fazer a manifestação porque estávamos sem coordenador de curso e nenhum professor queria assumir o cargo. A gente também queria chamar a atenção do chefe do Centro de Artes e do Departamento para os problemas. Uma outra questão séria no curso são as pranchetas, porque há poucas nas salas, não atende a todos os alunos, e elas estavam em condições extremamente precárias. Então fizemos um mutirão pra resolver parte disso”, conta Clara Sampaio, estudante do 3º período de Arquitetura. Os estudantes organizaram uma tarde de manifestação e eles mesmos revestiram as pranchetas danificadas.
No curso de Comunicação, o problema maior é a falta de professores e de salas. Duas professoras queriam tirar licença e o concurso para professor substituto só foi aberto um mês após o início do semestre. “Eu preferi me desmatricular da disciplina e encaixa-la em um outro semestre, porque já estávamos há dois meses sem professor e ter menos da metade da carga horária da disciplina afeta a qualidade da matéria”, declara indignada Luísa Buzin, estudante do 4º período de Comunicação. Além disso, houveram vários problemas com a distribuição de salas, inclusive causando conflito entre estudantes dos dois cursos, que partilham algumas salas do mesmo prédio.

19.10.06

Caos na UFES 1.0

2 meses sem aulas. Esse foi o trauma vivido pelos alunos da graduação de História da UFES. (In)Felizmente, eles não foram os únicos. Diversos cursos têm tido diversos problemas e, com isso, esse post vem iniciar uma série de posts intitulada "Caos na UFES - O que a TV não mostra". Caos na UFES 1.0 conta os "problemas históricos".

"A carga horária deles já tinham sido preenchidas; professores que seriam da graduação foram para o mestrado e para outros cursos". Legalmente falando não era proibido (porque os professores da História encontraram uma cláusula que permitia que eles dessem aula na pós-graduação e cumprissem a carga horária, sem serem obrigados a dar matérias na graduação todos os períodos initerruptamente), mas "foi falta de comprometimento com a graduação". Foram falas dos estudantes. Os que sofreram mesmo foram os do segundo período que ficaram inicialmente sem três disciplinas. Mas outros períodos sofreram do mesmo mal.

Hoje, "temos o professor substituto, ele está dando três matérias que não tem nada a ver umas com as outras e como perdemos dois meses de aula, está tudo muito puxado agora", disse Julia, do segundo período.

Ninguém sabia dizer muito, as informações eram sempre desencontradas e (como sempre) o departamento se abstem(ou '-teve'). No jogo de empurra, os alunos sempre perdem.

17.10.06

wind of change

Um dia o Mr. Klaus Meine cantou os tempos de mudança. E, muitos anos depois, a mesa resolveu mudar. Novas idéias e novas propostas (porque as antigas já não representavam as mesmas idéias).

A mesa imaginária agora está em versão 1.2 - tô na rua. Jornalismo literário na rua, no dia a dia. Na universidade, na beco. Onde for. Lá estaremos nós, com nossas 'outras' visões de ver o mundo.

Projeto experimental, em fase de teste e que ninguém reservou direitos :)

9.10.06

amazon palace



Não que eu goste de discursos maniqueístas contra o capital neo-liberal opressor, mas não há como negar... O amazan palace está aí...